quarta-feira, 3 de junho de 2015

"O Piolho Viajante", António Manuel Policarpo da Silva // "The Traveling Lice", Antonio Manuel Policarpo da Silva

Uns 158 anos separam o romance picaresco em Castelhano El Siglo Pitagórico ó Vida de Don Gregório Gadanha do escritor Português Henrique Gomes (ou em Castelhano Enrique Gomez) desta obra de 1802-05 (editada em livro em 1821 já com a autoria, antes anónima, reivindicada) do cordelista Lisboeta António Manuel Policarpo da Silva, mas é comum o estilo picaresco mas fantástico, o cómico de irreverência, o aspecto filosófico no romanesco, a coragem na sátira social e moral, o retrato das maleitas da sociedade humana (ou mesmo da natureza humana), são essencialmente os mesmos, misturando assim enredo inacreditável e crítica social e análise filosófica. Enquanto El Siglo Pitagórico é mais filosófico que cómico e mostra-nos a vida de uma alma dentro do sistema de crenças pitagórico, através de algumas encarnações, mas no estilo do romance picaresco, para comentar sobre as mesmas realidades ibéricas descritas pelos romances picarescos luso-espanhóis (que valeram ao autor grande vigilância da Inquisição), no caso da obra serializada em folhetos de cordel de Policarpo da Silva, o protagonista é um piolho que em "língua piolha" punha por escrito as suas memórias, que terão sido traduzidas para conhecimento dos humanos, e pelo seu estatuto mais de leitura "popular" foi levado de forma menos séria pela censura da altura (simultaneamente Inquisitorial e da Real Mesa Censória secular). Através da sua comédia e fantástico, Policarpo da Silva derramou verve sobre sociedade, dandies, aristocratas, tutores, amantizados e toda a sorte de tipos sociais.
O livro, escrito de forma tão polida como clara, foi publicado em folhetos periódicos publicados no formato hoje chamado "de cordel", anonimamente (pelos anos de 1880, Teófilo Braga contava-se entre aqueles que pensavam que o cordelista José Daniel Rodrigues da Costa era o verdadeiro autor, o que hoje, sem certeza absoluta pode porém ser muito suspeitado pelas informações circunstanciais disponíveis de ser incorrecto), narra desde o nascimento a vida de um piolho Asiático filho de pai incógnito (ou um elefante ou uma tarântula), de tamanho grande para a espécie, que depois de uma infância pouco digna de nota (que serve porém para estabelecer que tivera uma relação pouco próxima com o seu pai), e de ajudar o pai (pelo contexto este «pai» será o esposo da mãe e não o desconhecido progenitor do piolho anormalmente grande) a saber do envolvimento do tutor do jovem piolho com a mãe do mesmo. Chegando à maturidade, o piolho é expulso da cabeça onde se criara, e começa a sua passagem por várias cabeças que lhe servem de lar (as «Mil e uma carapuças» do subtítulo do livro são ou a prova de um texto inacabado, embora o texto seja bem auto-contido, ou simples expressão exagerada para "muitas carapuças mesmo").
Quem conhece (nem que seja só por via de canções, adaptações infantis, desenhos-animados, filmes ou teatro) o As Viagens de Gulliver de Jonathan Swift tem uma boa ideia do tipo de livro em causa, com o piolho a viajar de situação em situação (aqui, ao contrário de Gulliver, sendo sempre o anão num mundo de gigantes), encontrando sempre problemas, situações algo ridículas, mas por vezes atrozes e sérias também, mas que sempre servem fins satíricos ou filosóficos quando analisados a fundo. No caso do herói insecto deste livro, começa como uma espécie de "sem-abrigo" vivendo no cor cabeludo de um tinhoso careca, viriam ainda viagens para a cabeleira de um cabeleiro de profissão que (pela lógica "casa de ferreiro, espeto de pau", provérbio citado pelo texto numa variante ligeiramente diferente) tinha o cabelo infestado de bichos, e depois de uma cabeçada dele numa senhora, sobrevive na cabeleira desta, e de cabeleira em cabeleira até à cabeleira agradável de um doente de Gota, depois para o cabelo do suposto filho (como parte da crítica à classe elevada surgem várias insinuações de adultério em Policarpo da Silva), viciado no jogo, e por 14 carapuças mais, até o livro completar 3 tomos, e no quarto tomo continua o enredo a partir do alojamento num louco e continua até uma conclusão aberta que deixa imaginar o piolho continuando de cabeça em cabeça em estórias para um segundo livro de memórias.
Policarpo da Silva era um verdadeiro "escritor popular" (no formato da altura, de cordelista) e satirista impregnado do espírito liberal e iluminista burguês da altura, e a sátira e ficção picaresca dele encaixavam com esse tipo de visão, assim criticando a alta sociedade do Antigo Regime e principalmente a classe aristocrática opositora do liberalismo burguês, a Igreja, populares de hábitos estranhos e todo o tipo de gente, num início do século XIX imediatamente antes das Invasões Francesas e em que Portugal tinha, pelo menos no cordel, uma forte literatura satírica social, isto não contando com a literatura principalmente ensaística e poética de estilo satírico (e de paródia literária muitas vezes com fins satíricos sociais) que vinha desde o final do século XVIII tardo-barroco, neo-clássico e pré-Romântico até ao início do século XIX pré-Romântico e iluminista liberal.
Portanto cada "anedota" ligada a uma viagem de carapuça para outra, e à vida numa dada carapuça, crítica a um tipo social específico, ou um tipo moral ou individual específico, dos carecas "disfarçados", aos esteticistas menos cuidados que os seus clientes, a vários tipos de nobres, a adúlteros, a dandies, a doentes, etc.. Assim, temos hipótese de muito gozo logo com a primeira aventura do primeiro tomo, do tinhoso, que curiosamente usa peruca e apanha sempre com os dedos o piolho para o exibir várias vezes ante os olhos dos que o rodeiam dizendo estar cheio «deles». Depois de a mulher do tinhoso o convencer a deixar de usar peruca (a verdadeira "residência" do piolho sendo que estava na cabeça de um careca, obviamente. Com a típica variedade do humor português, temos tanto subtilezas como ataques mais de hilaridade e gozo despiedado e "bruto", com um humor que não se fica pela "genérica" crítica social neste caso e ridiculariza tipos específicos de pessoa, focando-se na vaidade e na falsa apresentação da pessoa do próprio.
Depois do cabeleireiro e da senhora com quem ele batera a cabeça, o piolho protagonista (palavras que nunca pensei escrever juntas e acredito que vocês próprios nunca as esperariam) passa, entre outras cabeleiras pela de um barbeiro que fez a barba ao marido da senhora (numa fuga dada pelo piolho numa altura em que o pai da dama queria usar métodos "da pesada" contra a bicharada na cabeça da filha), e nessa cabeça tem ele vida dura visto que o barbeiro levava o objectivo de exterminação de bicheza bem a sério (até gastando todos os vinténs que tinha), e bem depois de o homem ser «descomposto» por uma navalhada cuja cicatriz «não deixava de» dar ao barbeiro «a sua graça» que aproveitando uma rixa do barbeiro com um tendeiro, o piolho passa para a cabeleira do tendeiro fugindo da dura vida na cabeleira do outro, conseguindo agora vida farta numa cabeleira onde «Tudo andava untado», mas infelizmente a vida dura e doente do tendeiro mata-o e o piolho novamente "sem-abrigo" aproveita que o boticário vizinho vinha ver se o tendeiro ainda respirava e saltou para nova residência... sem entrar em muito pormenor dos passos todos do enredo em todas as cabeleiras pelo qual este passa, esta descrição mais detalhada dá alguma ideia do tipo de sátira em causa, mais focado em sátira quer de excessos de estética como da falta de higiene das classes baixas (e mesmo das altas do século XVIII), com algumas alfinetadas aos hábitos estéticos e mesmo sociais, como poderiam ser vistos por um minúsculo insecto pícaro.
Os míticos penteados do século XVIII e inícios do XIX
Depois da morte do doente da gota, o seu filho arruinou-se com o jogo, e assim desanimado com o arruinar do homem, o piolho passou para um Galego a viver na mesma casa, do qual logo que pode escapa (vendo-o só como passagem «de noite», e depois disso vem uma existência algo agradável num velho sucateiro com boca a saber a ferro velho (tirem daqui a conclusão que quiserem), e depois de começar a discutir-se divisão do ferro-velho para dar à filha do velho sucateiro ele passa para a cabeça de um cozinheiro de uma casa grande em que trabalhava muito (o cozinheiro, não o piolho que só tinha por ocupação ser piolho claro), e até bêbado fazia esse cozinheiro grandes "brilharetes" culinários, e quando um estudante sobrinho do cozinheiro começou a rondar o seu tio constantemente, o piolho «quis ser piolho estudante e ir a uma cabeça onde houvesse miolos» (o livro está, felizmente, cheio de tiradas desta cepa), e com o estudante com 35 anos de vida e 30 de estudos por escolha do pai dele, passou o piolho a ter um triste espectáculo ante os olhos com este estudante livresco mas cábula e ainda pior enquanto pessoa, o que influenciou o piolho a mudar-se para um velho quando o estudante vomitava de enjoos de barco (enquanto o velho lhe segurava a testa), e com este velho «que tem os seus setenta no bucho mas com todos os vícios de um rapaz de vinte» que com todos os seus cuidados com a aparência para os namoros que insistia em tentar manter, dava alguns incómodos capilares ao piolho, e quando uma cigana leitora da sina vai à casa do velho e lhe puxa por dois cabelos no processo, o piolho (segundo o próprio enquanto narrador, não desgostando dos puxões) muda-se para a cigana. Com o episódio do estudante vemos que apesar de um homem (popular) do liberalismo iluminista, Policarpo da Silva condena o mau intelectualismo e mostra que a cultura não faz necessariamente uma pessoa cívica; já o episódio do cozinheiro bêbado é uma boa denúncia daqueles que trabalham alcoolizados (e recordação de que alguns trabalham melhor assim). É curioso comparar o estudante e o velho, ambos pessoas pouco regradas, mas um sendo basicamente uma besta cruel e o outro uma espécie de alma da festa bon-vivant. Depois de muitas aventuras mais ao longo do III tomo o texto conclui com a passagem do piolho por um louco, o pico da ironia de Policarpo da Silva: «Vou mostrar um doido que, tomaram muitos com juízo, pensar como ele muitas vezes discorria. Em muitas cabeças tinha eu estado que se chamavam com juízo e que era mesmo uma vergonha chamarem-lhe de juízo. Eu, que não sou lá por isso dos que posso falar nesta matéria com o maior desembaraço, caíam-me as faces no chão quando ouvia dizer: — Vossa mercê tem muito juízo!»
Apesar dessa conclusão, é sem dúvida uma vida difícil a que o piolho passa neste novo "lar", porque «o doido estava sempre a parafusar». A continuação desta estória começada ainda no III tomo termina no IV e último tomo, com o doido internado, o piolho decide partir em busca de novo lar, que faz na cabeça do enfermeiro que ia tratar da praga de bicho entre uns loucos, e o homem (que lembra o piolho de uma passagem do romance picaresco francês Gil Brás ou Gil Blas) muito impressionou o piolho com a sua ética e esforço e caridade para com os doidos, e pouco depois quando numa pausa o enfermeiro vai a uma taberna, o piolho faz novo lar no taberneiro. A curiosidade do piolho pela vida do taberneiro (como de todos os seres humanos por ele visitados) dá origem a uma das melhores frases do texto: «Muitos hão-de julgar que eu já estou cansado de saber as vidas alheias. Como se enganam! Eu, criado com umas velhas que não falavam noutra coisa! Depois, quando tinha cinco anos, em lugar de ir para a escola, mandaram-me para a Mestra que eram outras duas velhas que não davam ponto que não levantassem um testemunho a alguém. Depois que passei para outros estudos mais sérios, meteram-me logo um livro na mão, cujo conteúdo era dize-tu-direi-eu. De indagador, passei a arrazoador e fui-me fazendo um endemoninhado. Depois deram-me um criado que tinha tudo consigo: era velho, teimoso, espreitava a vizinhança até alta noite, era guloso na quinta casa. Fora mais prendas que eu calo por vergonha. Eu, com tão bons adjuntos, podem vossas mercês supor o que sairia. Saí a pele de todos os... e tomei tão bem a lição que de todos tirei alguma coisa». Bem, e creio eu que isto é quanto chegue de revelar sem demasiadas revelações do enredo do livro para a análise dele.
Ilustração do citado Gil Blas de Santillana
Como se pode ver, o livro tem tanto de satírico como de humor mais simples ou bombástico, de grotesco como de cómico, de crítica a tipos de pessoa como de comentário social, e mesmo alguma coisa de livro de aventuras, através desta experiência criativa das falsas memórias de um insecto, um tipo de pré-Romantismo, iluminista liberal satírico e poético que surgiria em muitas obras de cordel e "eruditas" desta época, incluindo como exemplo alguma poesia e prosa do escritor e educador Romântico Português António Feliciano de Castilho, como a prosa auto-biográfico A Chave do Mistério. É uma obra não só do entretenimento leitor mas da crítica da sociedade e das pessoas que a constituem, e por oposição a defesa de uma sociedade com menos defeitos ridículos, mais justiça, mais liberdade, mais ética, mais respeito e mais racionalismo, com estes elementos como referências para uma sociedade que pareceria menos ridícula aos olhos de piolhos, e de outros humanos, e que infelizmente Policarpo da Silva não via na sua sociedade, e provavelmente ainda hoje não veríamos (nem veria um piolho). Este livro infelizmente não é hoje edição muito frequente (apesar de em tempos ter sido um best-seller em Portugal e no Brasil) e não se encontra em várias bibliotecas, mas pode encontrar-se em-linha em vários sítios e formatos, como por exemplo na Wikisource lusófona e para download em formatos EPUB e PDF na Luso Livros.net.


Some 158 years separated the picaresque novel in Castile Spanish El Siglo Pitagórico ó Vida de Don Gregório Gadanha/"The Pythagorical Century or Life of Don Gregorio Scythe" by the Portuguese writer Henrique Gomes (or in Castile Spanish Enrique Gomez) from this 1802-05 work (edited in book in 1821 already with the authorship on, antes anónima, reivindicada) by the Lisboner chapbook-writer Antonio Manuel Policarpo da Silva, but it is common the picaresque but fantastical style, the irreverence comical, the philosophical aspect in the novelesque, the courage in the social and moral satire, the portrayal of human society's agues (or even of human nature) are essentially the same, mixing so unbelievable plot and social critique and philosophical analysis. While El Siglo Pitagórico is more philosophical than comical and shows us a life within the pythagorical belief system, through some reincarnations, but in the picaresque novel's style, to comment on the same Iberian realities described by the Portuguese-Spanish picaresque novels (which were worth the author grand Inquisition vigilance), in the case of the work serialised in chapbook fliers by Policarpo da Silva, the lead is a lice that in "lice language" put in writing his memoirs that would have been translated for knowledge of the humans, and for its status of more of "popular" reading was taken less seriously by the censorship of the time (simultaneously Inquisitorial and from the secular Royal Censory Roundtable). Trhough its comedy and fantasy, Policarpo da Silva spilled verve over society, dandies, aristocrats, atutors, paramoures and all sort of social types.
The book, written in way as polished as clear, was published in periodical fliers in the format today called "chapbook", anonymously (by the 1880s, Portuguese literati and future President Teofilo Braga counted himself among those tht thought that the chapbook-writer José Daniel Rodrigues da Costa was the true authorer, what today, with absolute certainty can though be suspected by the available circumstantial of being incorrect), narrates from birth the life of an Asian lice son of father unknown (either an elephant or a tarantula), of big size for its species, that afterwards to a barely worthy of note childhood (that serves though t establish that he had a barely close relationship with his faher), and of helping the father (by the context this «father» would be its mother's spouse and not the unknown progenitor of the abnormally big lice) to know of the involvement of the young lice's tutor with the latter's mother. Reaching maturity, the lice is expelled from the head where he raised himself, and starts its passage by several heads that serve it as home (the «One thousand and one head-caps» of the book's subtitle are either the proof of an unfinished text, although the text be very self-contained, or simple exaggerated expression for "many head-caps really").
Who knows (not even if only via songs, children's adaptations, cartoons, films or theare) to Jonathan Swift's Gulliver's Travels has a good idea of the kind of book at stake, with the lice travelling from situation to situation (here, unlik Gulliver, being always the dwarf in a world of giants), finding always problems, somewhat ridiculous situations, but sometimes atrocious and serious as well, but that always serve satirical or philosophical ends when analysed deeply. In the case of this book's bug hero, it starts as a kind of "homeless hobo" living of the hair tresses of a bald mangy, would come yet voyages to the head-of-hair of a hairdresser by trade who (by the "who is worse shod than the shoemaker's wife?" logic, proverb quoted by the text in a slightly different variant) had the hair infested with critters, and after a headbutt of his into a lady, it survives in the head-of-hair of the latter, and from head-of-hair unto head-of-hair till the agreeable head of hair of a Gout patient, afterwards into the hair of the supposed sun (as part of the critique to the upper class it come up several adultery insinuations in Policarpo da Silva), addicted to gambling, and by 14 head-caps more, till the book completes 3 tomes, and in the fourth tome continues the plot out of the lodging on a mad-man and continues till an open conclusion that leaves to imagine the plice continuing from head to head in stories for a second book of memoirs.
Policarpo da Silva was a true "popular writer" (in the format of the time, of chapbook-writer) and satirist infused of the bourgeois liberal and Enlightenment spirit of the time-point, and the satire and picaresque/rogue fiction of his fit with that kind of vision, thus criticising the Ancient Régime's high society and mainly the aristocratic class opposing to the bourgeois liberalism, the Church, commoners of strange habits and all type of folk, in an onset to the 19th century immediately before the Napoleonic Invasions and in which Portugal had, at least in the chapbooks, a strong social satirical literature, hi not counting on the mainly esay-like and poetic literature of satirical style (and of literary parody often with social satirical ends) that came since the late-barroque, neoclassical and pre-Romantic ending to the 19th century till the onset of the pre-Romantic and liberal Enlightenment 19th century.
Hence each anecdote connected to a travel from head-cap to another one, and to the life in a given head-cap critique to a specific social type, or a moral or individual specific type, from the "disguised" baldies, to the beauticians less neat-and-tidy than their clients, to several kinds of nobles, to adulterers, to dandies, to sick patients, etc.. So, we got chance of much mocking rightaway with the first adventure of the first tome, the mangy's one, who curiously wears wig and catches up always with the fingers "our" lice to show him off various times before the eyes of the ones surrounding him stating to be full «of them». After the mangy's wife convincing him to cease using the wing (the true "residence" of the lice being that he was on a bald-man's head, obviously. With the typical variety of the Portuguese humour, we got as much subtleties as attacks more of hilarity and heartless and "brutish" mockery, with a humour that does not stick by the "generic" social critique in this case and ridicules specific types of people, focusing itself into vanity and the false representation of the person of one's self.
After the hairdresser and the lady with whom he headbutted, the lice lead (words that never thought to write together and believe that you yourselves never expected them)passes, among other heads-of-hair by the one of a barber who shaved the lady's husband (on an escape given by the lice on a time-point in which the dame's father wanted to use "heavy-stuff" methods against the critter-bunch in his daughter's head), and in that head has he a very tough life seen that the barber took the objective of extermination of buggery quite seriously (even spending all the twenty-pence he had), and well after the man being "disheveled" by a knife-blow whose scar «did not cease» giving to the barber «his own gracefulness» which taking advantage of a quarrel of the barber with a tented-shopkeeper, the lice passes to the tented-shopkeeper's head running-away to the hard life on the other man's head-of-hair, getting now a life of plenty on a head-of-hair where «All went greased-up», but unfortunately the hard and sickly life of the tented-shopkeeper kills him and the lice again "homeless" takes advantage that the neighbouring apothecary came to see if the tented-shopkeeper still breathed and jumped to new residence... without entering into much detail on all the steps of the plot in all the heads-of-hair through which the lead passes, this more detailed description gives some idea of the type of satire at stake, more focused in satire both of excesses of aesthetic and of lack of hygiene of the lower (and even the 18th century upper) classes, with some stabbing digs to the aesthetic and even social habits, as could have been seen by a miniscule roguish bug.
The mythical 18th and early-19th century hairstyles
After the death of the Gout patient, his son ruined himself with the gambling, and so disheartened with the man's self-ruining, the lice passed to a Galician living in the same house, from whom right-away that he can he escapes out of (seeing him just as «nightly» passage, and after that comes a somewhat agreeable existance on an old scrap-dealer with the mouth tasting like iron; take from here the conclusion you wish), and after starting to argue itself division of the scrap-yard to give to the old scrap-dealer's daughter it passes to the head of a cook from a big house in which there was much work to do (by the cook, not by the lice that only had by occupation to be lice of course), and even drunk that cook made grand culinary "big splashes", and when a student nephew to the cook started to prowl his uncle constantly, the lice «wanted to be student lice and go to a head where there were brains» (the book is, happily, full of irades of this stock), and with the student with 35 years of life and 30 of studies by choice of his father, passed the lice to have a sad showing before its eyes with this bookish but truant student and even worse while person, what influenced the lice to move himself to an oldman when the student threw-up from boat sickness (while the oldman held his forehead), and with this oldman «who has his seventies in the gut with all the vices of a twenty-year-old boy» who with all his cares with the appearance for the dates that he insisted in trying to keep, gave some capillary nuisances to the lice, and when a palm reader Gypsy-lady goes to the oldman's house and pulls him on two hair-threads on the process, the lice (according to himself while narrator, not disliking the yankings) moves himself to the Gypsy. With the student's episode we see that despite a (commoner) Enlightenment liberalism, Policarpo da Silva condemns the bad intellectualism and shows that the culture does not necessarily make a person civical; now the drunk cook's episode is a good denounciation of those that work intoxicated (and remindal that some work better thus). It is curious to compare the student and the oldman, both little regimented people, but one being basically a cruel beast and the other a kind of bon-vivant soul of the party. After many adventures more throughout the III tome the text concludes with the lice's passage by a mad-man, the peak of Policarpo da Silva's irony: «I'm going to show a crazy-man that, they would will it so many with sense, to think how he many times expatiated. In many heads I had been that were called with sense and that it was really a shame to call it sense. I, who am not all that among the ones who can talk on this matter with the greatest resourcefulness, it fell-down on me with faces on the ground when I heard said: — Thine mercy has much sense!»
Despite this conclusion, and without doubt a hard life the one the lice passes in this new "home", because «the crazy-man was always screwdriving himself». The continuation of this story started still in the III tome ends in the IV and last tome, with the committed crazy-man, the lice decides to leave in search of new home, which he sets up in the male-nurse's head who was going to take care of the bug-critter plague among the mad-men, and the man (who reminds the lice of a passage of the Frenchpicaresque novel said in Portuguese Gil Brás or originally Gil Blas) much did impresse the lice with his ethic and effort and charity towards the mad, and little after when on a pause the nurse goes to a tavern, the lice does new home on the tavernkeeper. The lice's curiosity for the tavernkeepers life (like on all the human beings by him visited) gives origin to one of the text's best sentences: «Many will juge that I am already tired of knowing the lifes of someone else's How they get it wrong! I, raised with some old-women who did not speak of nothing else! Afterwards that I passed unto more serious studies, they put me rightaway a book in hand, whose content was you-say-I-say. From enquirer, I passed to reasoner and went making myself demonised. After they gave me a servant that had everything in himself: he was old, stuborn, peeked on the neighbouring till dead of night, I was gluttonous to the fifth digits. Aside more gifts that I silence out of shame. I, with such good deputies, may thine mercies suppose what would come out. I came out the skin of all the... and took-up so well the lesson that from all I took-out some thing.» Well, I do believe that this is as much suffices to reveal without too many revelations of the book's plot for the analysis of it.
Illustration of the cited Gil Blas de Santillana
As it can be seen, the book has as much of satirical as of more simple and bombastic humour, of grotesque as of comical, of criticism to types of people as of social commentary, and even something of adventure book, through this creative experiment of the false memoirs of an insect, a type of pre-Romanticism, satirical and poetical liberalEnlightenment's that would come-up in many chapbook and "scholarly" works of this time, including as example some poetry and prose from the Portuguese Romantic writer and educator Antonio Feliciano de Castilho, like the autobiographical prose A Chave do Mistério ("The Key to the Mystery"). It is a work not only of reading entertainment but of the critique of the society and the people that make it up, and as opposed to that a defense of a society with less ridiculous flaws, more justice, more freedom, more ethics, more respect and more rationalism, with these elements as references for a society that would seem less ridiculous to the eyes of lices, and of other humans, and that unfortunately Policarpo da Silva didn't see in her society, and probably still today we would not see (nor would a lice see). This book unfortunately is not today very frequent a published work (despite in times goneby having been a bestseller in Portugal and in Brazil) and it is not found in several Portuguese libraries, but can find itself online on several sites and formats like for example on the Portuguese-speaking Wikisource and for download in EPUB e PDF formats on Luso Livros.net.

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