quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

"Constante Florinda", Gaspar de Pires de Rebelo // "Constant Florinda", Gaspar Pires de Rebelo

A obra setecentista que o blogue Clássicos da literatura infanto-juvenil portuguesa // Portuguese children's/juvenile lit classics apresenta na sua quinta entrada é uma obra esquecida do cânone da literatura portuguesa, merecendo talvez ser visto (enquanto um dos romance iniciais da literatura portuguesa, modernizando o modelo de ficção que vinha dos romances helenísticos antigos, das epopeias em prosa gregas e bizantinas, dos romances de cavalaria, embora por paródia, do romance Fiammetta de Boccaccio do século XIV, dos romances pastoris e de "Arcádias", ou utopias rurais, do Renascimento e Barroco lusos e estrangeiros e do D. Quixote de algumas décadas antes, dando quiçá modelo para romances posteriores) como o Quixote da literatura picaresca setecentista de Portugal, de forma que, não fosse o facto de ser maioritariamente desconhecida mesmo no nosso país, ela provavelmente seria considerada um dos melhores romances de todos os tempos, na literatura portuguesa certamente, e porque não mesmo na mundial (o próprio autor foi um dos mais populares do seu tempo, e na altura a obra criou um furor de sucesso popular e foi imitado por muitos autores Portugueses, e quiçá até estrangeiros da época, pensando nas semelhanças entre a Constante Florinda e o Manon Lescaut do Francês Abade Prévot de 1731 e o Moll Flanders de Daniel Defoe de 1722 ou a semelhança entre a própria Florinda e a personagem de Cunégonde no Cândido, ou O Optimismo de Voltaire de 1759)?
Constante Florinda é o título abreviado de uma obra publicada em dois volumes em 1625 e 1633, Infortúnios Trágicos da Constante Florinda (que tem o terceiro, e intermédio, título abreviado Infortúnios da Constante Florinda), uma obra que narra as desventuras de um casal de jovens amantes de Saragoça, Espanha (não esqueçamos a influência mútua luso-hispânica no Renascimento e Barroco, principalmente durante a União Ibérica de 1580-1640), Florinda (então com 16 anos, a verdadeira protagonista da obra, criada pelos pais Floris e Aurélia com uma educação primorosa então reservada aos machos: línguas, músicas, esgrima e equitação) e Arnaldo (então com 18 anos, por quem ela se apaixona pelo clássico amor à primeira vista), que depois de uns primeiros quatro capítulos quase idílicos, com uma mistura de requinte aristocrata e libertinismo 'brando' e com classe de um quadro de Jean-Honoré de Fragonard de uns 100 anos depois (talvez O Baloiço) são separados pelo mundo e por vicissitudes no quinto, e assim ambos, cada um por seu lado, empreendem pelo resto da obra buscas através do mundo para acharem o outro.
O Baloiço (1767) de Fragonard
Ao longo do resto da obra segue-se um sequência de aventuras, desventuras, disparates e mesmo alguns infortúnios e algumas tragédias (prenunciados no título completo), enquanto a bela Florinda (não haja dúvidas ante a caracterização detalhada adjectivada de Pires de Rebelo, alternativamente grafado Pires Rebelo, que "é qualquer coisa", na forma como decalca o modelo de beleza das Vénus renascentistas: «Seu rosto era tão claro e bem corado qual cristal, e fresca rosa na maior pureza de sua perfeição. Tinha os cabelos tão fermosos que pareciam madeixas de ouro fino, e tão compridos que, estendidos, cobriam seu corpo, mostrando-se ornado com eles como se o fora de algum vestido artificial») viaja pelo mundo, mudando constantemente de nome, de roupagens e mesmo de sexo aparente (por vezes travestindo-se de homem para ultrapassar as limitações do estatuto de mulheres sozinhas no mundo naquele tempo) vai de paragem em paragem (de Saragoça, a Braga, a Lisboa, à Índia, através de Espanha, a França, à Grã-Bretanha, a Itália e ao Norte de África), ficando sempre conhecida porém ao longo de todas as paragens do enredo como «a Constante», pelo amor fiel que mantém pelo seu Arnaldo e pela busca constante por ele (ainda mais impressionante porque ela não tem grande esperança de o encontrar e continua mais por fidelidade resoluta), por quem sofre e busca ao longo de 40 capítulos. Neste clima de comédia do picaresco e do absurdo misturada com alguma melancolia e visão do mundo estoica (aí iremos), ao longo de vários episódios que 'arrastam' o leitor com o talento narrativo e grande cultura de Pires de Rebelo o que sobressai é sempre a nobre pureza de mente de Florinda, «a Constante» e a reciprocidade do bravo Arnaldo, que 'toma controlo' da segunda parte (nas edições originais, segundo volume) do texto, em que é ele que procura por Florinda, tão incansável e duramente como ela (mesmo assim não disputando o foco quase proto-feminista do clássico esquecido setecentista na protagonista feminina). O humor no texto reforça-se pelo estilo em que o livro é narrado: a várias vozes, por vezes até inserindo cartas das personagens no texto principal, com até a linguagem de época hoje vista como incomum e os costumes sociais hoje datados a ajudarem a um prazer lento de ironia, jogos de raciocínio e metáforas de segundo sentido.
Para além da fusão referida de humor e drama, vemos também que o texto é mais que mera comédia mesmo na sua faceta humorística, visto que o livro simultaneamente busca satirizar os romances românticos e pastoris (como D. Quixote buscava satirizar os romances de cavalaria), satirizar a sociedade, as crenças e ideais desta, para louvar os indivíduos em busca da sua liberdade e felicidade contra essa sociedade por vezes hostil a eles, o que se nota principalmente na primeira parte/volume do livro, e para além de satirizar, o livro almeja também deleitar e ensinar, para "mover" os leitores para agirem mais sabiamente ante os sofrimentos da vida tendo "aprendido" com o enredo. Isto sobressai especialmente na segunda parte/volume (que tem surpreendente união estilística e de tom com a primeira tendo em conta que segundo alguns foi só uma continuação escrita por causa da popularidade do volume originalmente pensado como único, com foco só na busca de Florinda), em que, com a busca de ambos através do mundo a continuar (agora mais focado no lado da busca de Arnaldo, claro), e o reencontro final de ambos em Florença, surge no texto e na sua visão do mundo mais algum idealismo e crença na nobreza de espírito, contrastando-se mais claramente a nobreza dos amantes com os infortúnios trágicos que sofrem da parte de um mundo mais infame que eles, mas sem recusar totalmente a sociedade da época e a religião católica dominante da época (obviamente, o que seria uma opção perigosa na altura).
Assim Pires de Rebelo "fica-se" por um ponto de vista misturando moralismo e libertinismo (apesar de essencialmente desafiar preconceitos e tabus). Pires de Rebelo faz isso sem recusar o cristianismo mas porém preferindo a ética estóica (uma ética originária da Grécia Antiga para uma vida livre, feliz e sábia que aconselha a vida de acordo com a "lei racional" da natureza, sem emoções e decisões destrutivas precipitadas, com uma indiferença controlada em relação ao que é externo ao ser como alternativa, reconhecendo-se a pessoa que quer viver mais sabiamente como parte de uma grande ordem do universo, de acordo com a razão "natural", sem se controlar pelas paixões e suportando a parte dolorosa da existência com dignidade e sabedoria), como se vê na forma como o casal protagonista aguenta a sua demanda longa e algo sofrida. Isto cria um choque no texto entre dois valores que são importantes para a visão do mundo do livro: por um lado o amor firme e constante de Florinda e Arnaldo é claramente virtuoso (e mais fica evidenciado que o é quanto mais choca com os erros do mundo e pela preferência do par da honra por inspiração de dito amor), mas a sensibilidade estóico-cristã do autor não deixa de ver mesmo um amor virtuoso como uma paixão 'meramente humana' que carece de perfeição divina e afecta assim o raciocínio e o bem estar dos virtuosos e constantes amantes, que são vistos como não tendo sabido ser "sábios" segundo a definição estóico-cristã do termo (gente que tenta convergir com uma suposta perfeita Razão Divina), dominando a "Fortuna" (Acaso) e submetendo-se à Providência Divina que rege o mundo. Num apontamento estético 'lateral', creio que faltou até agora o surgir de um ilustrador que consiga dar a esta obra que passa muitas décadas entre edições e que quando as têm o que texto só se acompanha de texto, o suporte gráfico que a grandeza e riqueza do texto imaginativo e digno herdeiro do brilhantismo cervantino merecem.
Mesmo em edições que juntam os dois volumes num só (têm surgido destas desde 1684), é impossível evitar a distinção clara do conteúdo vindo de ambos em enredo (quem busca quem), tom e sensibilidade, de forma que mesmo numa adaptação abreviada para público infanto-juvenil provavelmente se notaria tal diferença, mesmo que o trabalho de adaptação aproximasse os eventos e as descrições por encurtamento do texto. Um texto adaptado (que creio que não existe nenhuma hoje mas dada a antigo popularidade do texto, pergunto-me se já terá havido à 3 ou 4 séculos uma daquelas frequentes abreviações para folheto de cordel) deste tipo é algo que urge bastante para clássicos como este, que pela temática e estilo podem interessar ao público infanto-juvenil mas que pela extensão do texto original e estilo que pode ser 'grosso' para os leitores mais jovens ao primeiro encontro, pode afugentá-los a início. Neste texto em concreto, uma adaptação desse género ajudaria a acentuar os traços picarescos, cómicos e aventureiros do livro, sem prejuízo do seu lado triste e pensativo quanto aos azares do casal Florinda-Arnaldo, fonte de tantas interpretações, discussões de valor literário ou de seu realismo entre leitores adultos de vários meios desde a publicação original, mas de que no fundo só interessa que os arquétipos destas personagem continuam a andar sem fim, fieis e apaixonados em busca um do outro, na imaginação dos românticos incuráveis para os quais os amantes insatisfeitos em vida (mesmo os fictícios) têm toda a eternidade para se compensarem e terem finalmente a felicidade justamente merecida).
Edições desta obra são relativamente raras pelas bibliotecas, havendo alguma circulação acessível porém de edições da edição organizada e comentada por Nuno Júdice de 2005 (o quarto centenário do Quixote, obra com tantos pontos de união com a Constante Florinda, como Cervantes em geral influenciou a obra de Pires de Rebelo, como as picarescas Novelas Exemplares do Espanhol inspiraram uma colectânea do mesmo nome do autor da Constante Florinda) da Editorial Teorema (descrita como «uma edição histórica de um romance verdadeiramente histórico», no sentido de obra antiga historicamente e de importância histórica por razões qualitativas). Este livro merece uma oportunidade dos leitores de hoje, mesmo que não 'encaixem' muito bem hoje frases como «Os vestidos mais eram para ser laços do desejo que para ornar os delicados membros do seu corpo, porque vinha coberta de fina holanda lavrada em partes de seda preta com os remates de miúdos troçais de ouro, e não era roupa tão ávara que não presentasse à vista uns pequenos montes de neve de entre os quais tirava Cupido, com mais veemência, as penetrantes armas de Diana». E ainda estamos à espera dessas adaptações para os leitores mais jovens que este texto (como o Quixote) merece.
Capa e contra-capa da edição de 2005


The 17th-century work that the Clássicos da literatura infanto-juvenil portuguesa // Portuguese children's/juvenile lit classics blog presents in its fifth entry is a forgotten work from the canon of Portuguese literature, deserving maybe to be seen (as one of the early novel of Portuguese literature, modernizing the fiction model that came from the ancient hellenistic novels, from the Greek and Byzantine prose epics, from the chivalry novels, although by parody, from the 13th century novel Fiammetta by Boccaccio, from the pastoral and "Arcadias, or rural utopias, novels from the Portuguese and foreign Renaissance and Barroque and from the D. Quixote of some decades before, giving perhaps model for aftermost novels) as the Quixote of Portugal seventeenth-century picaresque literature, in fashion that, were it not the fact of being majorly unknown even in our country, it probably would be considered as one of the best novels of all times, in Portuguese literature certainly, and why not even in the world one (the author himself was one of the most popular of his time, and at the time created a certain popular success furore and was immitated by many Portuguese authors, and perhaps even foreigner from the period, thinking in the similarities between The Constant Florinda and the Manon Lescaut from the Frenchman Abbey of Prévot from 1731 and the Moll Flanders of Daniel Defoe from 1722 or the similarity between Florinda herself and the character of Cunégonde in the Candide, or Optimism of Voltaire from 1759)?
Constant Florinda is the shortened title of a work published in two volumes in 1625 and 1633, Infortúnios Trágicos da Constante Florinda ("Tragic Misfortunes of the Constant Florinda" which has the third, and intermediate, shortened title Misfortunes from the Constant Florinda), a work that narrates the misadventures of a couple of young lovers from Saragoza, Spain (let us not forget the mutual luso-hispanic influence in the Renaissance and Barroque, mainly during the Iberian Union of 1580-1640), Florinda (then 16 years old, the true protagonist of the work, raised by the parents Floris and Aurelia with a exquisite education then reserved to the males: languages, music, fencing and horsemanship) and Arnaldo (then 18 years old, with whom she falls in love by the classic love at first sight, that after some first four chapters almost idyllic, with a mixture of aristocrat refinement and libertinism 'meek' and with class of a Jean-Honoré de Fragonard painting from some 100 years afterwards (maybe The Swing) are separated by the world and by vicissitudes in the fifth, and so both, each one on its end, endeavor through the rest of the work to searches through the world to find the other.
The Swing (1767) by Fragonard
Throughout the rest of the work it follows itself a sequence of adventures, misadventures, nonsenses and even some misfortunes and some tragedies (omened in the full title), while the beautiful Florinda (let it not be doubts before the adjectivated detailed characterization of Pires de Rebelo, alternatively graphed Pires Rebelo, that "it sure is something", in the way how it calks the model of beauty from the Renaissance Venuses: «Seu rosto era tão claro e bem corado qual cristal, e fresca rosa na maior pureza de sua perfeição. Tinha os cabelos tão fermosos que pareciam madeixas de ouro fino, e tão compridos que, estendidos, cobriam seu corpo, mostrando-se ornado com eles como se o fora de algum vestido artificial», «Her visage was so light and well blushed like crystal and fresh rose in the greatest purity of her perfection, covered her body, showing itself primped with them like if it was it from some artificial dressing») travels through the world, changing constantly of name, of garbings and even of aparente gender (sometimes crossdressing of man for overcoming the limitations of the status of women alone in the world in that time), goes from stop into stop (from Saragoza, to Braga, to Lisbon, throughout Spain, to France, to Great Britain, to Italy and to North Africa), staying always known though throughout all stops like «The Constant-one», for the faithful love that she keeps for her Arnaldo and for the constant search for him (even more impressive because she doesn't have much hope of finding him and continues more for resolute faithfulness), for whom she suffers and searches throughout 40 chapters. In this climate of comedy of the picaresque and of the absurd mixed with some melancholia and stoic view of the world (more on that later), throughout of several episodes that 'drag' the reader with narrative talent and great culture of Pires de Rebelo's what overhangs is always the noble purity of mind of Florinda, «The Constant» and the reciprocity of the brave Arnaldo, who 'takes charge' of the second part (in the original editions, second volume) of the text, in which it's he who looks for Florinda, as untiringly as her (even so not disputing the almost proto-feminist focus of the forgotten seventeenth-century classic in the female lead). The humor in the text reinforces itself by the style in which the book is narrated: at several voices, sometimes even inserting letters of the characters in the main text, with even language of the time today seen as uncommon and the social customs today dated helping to a slow pleasure of irony, reasoning games and second meaning metaphors.
Besides the referred fusion of humor and drama, we see also that the text is more than mere comedy even in its humoristic facet, seen that the book simultaneously searches to satirize the romantic and pastoral novels (like the Don Quixote looked to satirize the chivalry novels), satirize the society, the beliefs and ideals of it, for praising the individuals in search of their freedom and happiness against that society sometimes hostil to them, what gets itself noticed mostly in the first part/volume of the book, and besides of satirizing the book aims also to delight and teach, for "moving" the readers into acting more wisely before the sufferings of life having "learned" with the plot. This overhangs especially in the second part/volume (that has surprising stylistic and tone union with the first-one holding in account that according to some it was a continuation written because of the popularity of the volume originally through as single-one, with focus in the search of Florinda), in which, with the search of both throughout the world continuing (now more focused in the Arnaldo's search, of course), and the final reencounter of both in Florence, appears in the text and in its view of world more some idealism and belief in the nobility of spirit, contrasting itself more clearly the nobility of the lovers with the tragic misfortunes that they suffer on the part of a world more infamous than them, but without refusing totally the sociewty of the period and the dominant Catholic religion from the period (obviously, what would be a dangerous option for the author in the time).
So Pires de Rebelo "sticks itself" by a point of view mixing moralism and libertinism (despite of essentially challenging prejudices and tabus). Pires de Rebelo does that without refusing Christianity but yet preferring the stoic ethic (an ethic originary from Ancient Greece for a free, happy and wise life that advices life in agreement with the "rational law" of nature, without emotions and destructive rushed decisions, with a controlled indifference in relation to what is external to the being as alternative, recognizing itself the person that wants to live jore wisely as part of a great order of the universe, in agreement with the "natural" reason, but without controlling itself by passions and bearing the painful part of the existence with dignity and wisdom), as it's seen in the way how the protagonist couple bears its long and somewhat suffered quest. This creates a clash in the text between two values that are important for the view of the world of the book: on one hand the firm and constant love of Florinda and Arnaldo is clearly virtuous (and more it stays made evident that it is so the more it clashes with the errors of the world and by the preference of the pair for honor by inspiration of said love), but the stoic-Christian of the author does not cease of seeing even a virtuous love as a 'merely human' passion that lacks of divine perfection and affects so reasoning and the well being of the virtuous and constant lovers that are seen as not having known to be "wise" according to the stoic-Christian definition of the term (people that try to converge with a supposed perfect Divine Reason),m dominating the Fortune (Chance) and submiting itself to the Divine Providence that manages the world. In a 'sideline' aesthetic note, I judge that it lacked so far the coming-up of an illustrator that can give to this work what passes many decades between editions and that when there is them the text only accompanies itself of text, missing the graphical support that the greatness and richness of the imaginative text and worthy heir of the cervantine brilliance deserve.
Even in editions that join the two volumes in one (it have appeeared of these ones since 1684), its impossible to avoid the clear distinction of the context coming from both in plot (who searches who), tone and sensibility, in way that even in a shortened adaption for the children's-juvenil audience probably it would notice itself such difference, even if the adaptation work neared the events and the descriptions by shortening of the text. An adapted text (that I judge that didn't exist any today but given the former popularity of the text, I ask myself if there already had been at 3 or 4 centuries ago one of those frequent abbreviations for chapbook flyer) of this type is something that urgently lacks enough for classics like this, that by the thematic and style may interest to the children's/young-people's audience but that by the extension and style of the original text may be 'thick' for the younger readers at the first encounter, may scare them away at first. In this text concretely, an adaptation of that kind would help accentuate the picaresque, comical and adventurous features of the book, without prejudice of its sad and pensive side about the bad-lucks of the Florinda-Arnaldo couple, source of so many interpretations, discussions of literary value or of its realism among adult readers of several milieus since the original publication, but of which at the bottom of it only matters that the archetypes of these characters keep walking without end, faithful and in-love in search of each other, in the imagination of the hopeless romantics for whom the lovers unsatisfied in life (even the fictional ones) have all eternity for to themselves compensate and having finally the justly deserved happiness.
Editions of this work are relatively rare throughout the Portuguese libraries, having some accessible circulation though of editions from the edition organized and commented by Nuno Júdice from 2005 (the forth centennial of the Quixote, work with so many union point with the Constant Florinda, like Cervantes in general influenced the work of Pires de Rebelo, like the picaresque Exemplary Novel of the Spaniard inspired a collection of the same name from the autor of the Constant Florinda) from the Editorial Teorema (described as «uma edição histórica de um romance verdadeiramente histórico», «a historical edition of a novel truly historical», in the sense of work historically ancient and of historical importance for qualitative reasons). This book deserves an opportunity from the readers of today, even if it does not 'fit' very well today sentences like «Os vestidos mais eram para ser laços do desejo que para ornar os delicados membros do seu corpo, porque vinha coberta de fina holanda lavrada em partes de seda preta com os remates de miúdos troçais de ouro, e não era roupa tão ávara que não presentasse à vista uns pequenos montes de neve de entre os quais tirava Cupido, com mais veemência, as penetrantes armas de Diana» («The dresses were more for laces of desire than for primping the delicate members of her body, 'cause she came covered of fine Holland-suede wrought in parts of black silk with the abutments out of minor twines of gold, and it wasn't clothes so avarous that it didn't present to the sight some small mounts of snow from among the which took out Cupid with more vehemence the penetrating weapons of Diana»). And we're still waiting on those adaptations for the younger readers that this text (like the Quixote) deserves.
Front-cover and back-cover of the 2005 edition

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