sexta-feira, 23 de outubro de 2015

"Jim West - O Ataque ao Forte", Raul Correia // "Jim West - The Attack on the Fort", Raul Correia

Ainda se lembram da publicação, sobre As Aventuras de Jim West de Raul Correia? Se não gostaram dela provavelmente não vão gostar desta 43.ª publicação deste blogue mas enfim, eu já vos tinha avisado nessa publicação que ainda íamos voltar a Jim West, não avisei? Porque agora, vamos passar os olhos por uma espécie de "unidade independente" dentro dessa longa novela "em folhetins" (identificada enquanto "unidade" individualizada numa das capas da revista O Mosquito, em que em vez e simplesmente surgir o título geral da novela, As Aventuras de Jim West, lia-se Jim West - O Ataque ao Forte, como se pode ler acima, assinalando uma metade separada da novela, demarcando a etapa final do texto, um desenvolvimento do enredo que já referi por alto na outra publicação).
Depois de Jim West e Nath Pig encontrarem pelo caminho para o Forte Laramie um velho prospector velho amigo deste último, e reencontrar-se o casal West (visto que Louise se encaminhara para lá depois de se separarem, como previamente combinados por ambos, enquanto primeira paragem mais segura para os colonos europeus). Os Sioux que já haviam atacado e perseguido os nossos heróis e as caravanas de «wagons» (como diz Correia usando do termo inglês) até ao forte, pouco depois organizam uma ataque ao mesmo (a novela inteira, da secção anterior até esta, pode bem comparar-se com a estrutura narrativa d'O Último dos Moicanos de Fenimore Cooper, com a estrutura básica fuga-captura-salvamento-segurança nova-fuga nova captura-novo salvamento-conclusão, embora agora com um final mais feliz para os protagonistas), que resulta num ataque que invade o forte e provoca uma resistência desesperada dos colonos (sob um oficial de ascendência francesa e sua mulher da mesma nacionalidade), que apesar de não acabar com o massacre dos colonos, força-os a uma luta desesperada contendo primeiro a invasão indígena do forte e depois a avançar para fora deste atacando as forças do cerco (numa diferença da obra de Cooper em que o cerco não é quebrado, mas os próprios cercados se rendem em troca de permissão de passagem segura, mas de facto são massacrados ou raptados pelos aliados Hurões dos Franceses que os cercam). Durante o contra-ataque branco, Jim avança junto com Nath primeiro e ambos acabam sozinhos num precipício defendendo-se com tiros e pedregulhos lançados sobre os Sioux que abaixo do precipício os rodeiam. Enquanto isso, Louise West, que nem tem a certeza que o marido ainda está vivo, faz parte da carga de cavalaria que ajuda a resgatá-lo e terminar o ataque à população colona radicada em torno e dentro do forte (este episódio e alguns outros ajudam a fazer de Louise, que já agora parece morena nos desenhos apesar de ser descrita como loira pelo texto, mais que uma mera fada-do-lar migrante).
A narração evolui depois, sempre na terceira pessoa através de um narrador omnisciente, falando da reconstrução do forte e da criação dos primeiros povoamentos em redor, conforme a zona se pacificava para os colonos euro-americanos. Depois, Jim e Nath, voltando a falar com o prospector amigo de Nath, Doods, ficam a saber que este havia ficado a saber, de outro prospector, de uma enorme quantidade de ouro em terra pawnee próxima, e assim os três partem seguindo as indicações do falecido explorador que nunca pudera cumprir o projecto de seguir o rasto das informações que reunira, guiados pelo sonho de Jim e Nath de conseguirem o ouro para darem uma vida condigna ao filho recém-nascido de Jim, baptizado de Fred, e (a insistência do próprio Nath, como homem menos educado mas com respeito da educação elevada) pô-lo a estudar para "ser alguém", a longo prazo. Durante o caminho, Jim mata um urso que surge de repente, e está pronto a atacá-lo, e enquanto ainda recupera o folego e Nath comenta a situação com o seu casticismo do Oeste habitual, um tornado levanta-se e os 3 escapam com vida por pouco, e apesar do tornado baralhar os sinais da natureza um pouco, e de um breve ataque de Pawnees, os 3 exploradores descobrem o local onde está guardado o dito ouro e voltar, supomos que para cumprir os sonhos por eles sonhados.
Esta metade da novela de Correia é organizada como a anterior, e segundo a estrutura de duas repetições da estrutura fuga-captura-salvamento d'O Último dos Moicanos, com novamente as personagens perdendo-se, depois de umas peripécias iniciais voltarem a segurança, e finalmente frustrando todos os perigos e ficando em segurança. As personagens ficam "iguais a si próprios" (como é usual dizer-se dos jogadores de futebol), mas algumas ganham mais peso na 2.ª metade da novela aqui, outras substituindo outras no mesmo papel, mas os mesmos lugares de antagonistas ou coadjuvantes ficando claros. A principal diferença é como na 2.ª metade da novela As Aventuras de Jim West, os antagonistas Índios passam de uma oposição quer colectiva quer individual (com alguns chefes e curandeiros oponentes dos colonos individualizados e bem-delineados, outros fortes e ferozes, outros oportunistas sem a mesma força, outros crentes num sistema de crenças tradicional), para um perigo somente colectivo, com o bando colectivo dos Sioux do ataque ou dos Pawnee da busca ao ouro a tomarem o lugar dos inimigos individualizados líderes seculares ou espirituais dos indígenas do princípio da novela. Mas também relacionado com o retrato dos Índios nesta parte desta obra de Raul Correia, é como o retrato ganha alguma complexidade apesar deste "colectivismo" do retrato: depois do primeiro ataque pawnee, Jim decide que eles devem deixa-los viver e não atacá-los, porque eles agora não deveriam voltar a atacar, e no fim de contas eram todos seres humanos que só queriam a sua vida (um comentário curioso, do princípio da humanização do "selvagem" na ficção nos meados do século XX que parece contradizer o retrato mais simples dos Índios da 1.ª metade do livro).
Esta secção de As Aventuras de Jim West continua a ter as falas grandiosas, grandes actos e amores, lealdades e pregações em grande, dignas do seu género. Como por exemplo esta de Louise West para a esposa do comandante Francês do Forte Laramie: «– Não, M.me de Bresse! Por Deus, não! Jim foi para o norte houve três dias... e os Sioux estão em guerra! Se ele foi capaz de chegar a nossa casa, se ele viu que o fogo a devorava, ele deve ir como louco procurando-me! Por Deus, M.me de Bresse! Ele por certo foi à aldeia dos Sioux! Faça com que me deem uma escolta de soldados! É preciso que encontre Jim, antes que seja tarde mais!...» Coisa com força que reforça o próprio enredo e condiz com ele em dramatismo, e que dá ao laço entre Louise West e o seu marido a força e grandeza acima do normal que seria de esperar de um livro de aventuras deste género e da fase no século XX em que foi escrito.
É fascinante ler todo este texto (incluindo a maior abertura aos Índios e comentário de "todos somos humanos") à luz de paralelo da experiência portuguesa de colonização no período da II Guerra Mundial (e a que viria no pós-guerra), quando Portugal começava a aumentar a colonização populacional efectiva e começava a enfrentar o princípio de um nacionalismo cultural e estava numa longa "contagem descrescente" para as guerras entre colonos e indígenas que se seguiriam no fim do Império Português, e também de um ponto de vista latino (com a maioria dos protagonistas tendo segundo descrições e as ilustrações de E. T. Coelho traços mais "étnicos" que o comum para protagonistas de westerns norte-americanos, o que poderemos atribuir à autoria por dupla de autor e desenhador Europeus Latinos) a história e género norte-americanos. Assim aqui vemos afirmações de nacionalismo, sobre a capacidade de construção da vida de alguém que arriscou uma vida nova feita do nada numa terra longuínqua, e um carácter escapista da literatura que seria de esperar de um livro similar escrito nos EUA, mas que da autoria de autor portuguesissimo como Correia e tendo este quase subtexto de latinidade e de paralelo português é algo muito menos usual e assim muito mais interessante. Algo como se pode ler em muitas obras das que temos visto neste blogue até ao momento. Novamente lembro que esta obra de Raul Correia nunca foi publicada em livro, por isso só cópias antigas da revista O Mosquito de 1943 ou vendo online algumas páginas que surgem no blogue dedicado especificamente à revista de estreia desta novela, O voo d'o Mosquito (novamente lembro, com as imagens das páginas de texto algo fora de ordem, embora lidas todas elas consegue-se ordenar de forma algo intuitiva a sua ordem cronológica no enredo, embora ainda assim seja óbvio que alguns capítulos faltam, embora desde a última publicação, algumas páginas mais sejam visíveis).


You still recall the post on As Aventuras de Jim West/"The Adventures of Jim West" by Raul Correia? If you didn't like it you'll likely not like this 43rd post of this blog but well now, I had warned on in that post that we still would go back to Jim West didn't I? Because now, we will pass the eyes over a kind of "independent unit" inside that long novella "in feuilletons" (identified while individualised "unit" in one of the covers of the O Mosquito magazine, in which instead of simply coming up the general title of the novella, As Aventuras de Jim West, it read itself Jim West - O Ataque ao Forte/"Jim West - The Attack on the Ford", as it can be read above, signaling a separate half of the novella, demarcanting the final stage of the text, a plot development that I already refered a shade in the other post).
After Jim West and Nath Pig find themselves along the way to Fort Laramie to an old prospector old friend of the latter, and meeting again the West couple (seen that Louise heade herself to over there after separating, as preciously agreed by both, while first passage safer for the european settlers). The Sioux that already had attacked and chased our heroes and the caravans of «wagons» (as says Correia using of the English term) till the fort, little afterwards organised an attack to the former (the whole novella, from the previous section till this one, can well compare itself with the narrative structure o' The Last of the Mohicans by Fenimore Cooper, with the basic structure escape-capture-rescue-new security-new capture-new rescue-conclusion, although now with a happier end for the leads), that results in an attack that invades the fort and provokes a desperate resistance of the settlers (under an officer of French ancestry and his wife from the same nationality), that despite not ending with the massacre of the settllers, forces them to a desperate struggle containing first an indigenous invasion of the fort and after wards to advance outwards the former attacking the siege's forces (in a difference from Cooper in which the siege is not broken, but the besieged themselves surrender in exchange of permission of safe passage, but in fact are massacred or kidnapped by the Huron allies of the French that besiege them). During the white counter-attack, Jim advances together with Nath first and both end alone on a cliff defending themselves with shots and boulders launched over the Sioux who beneath the cliff do surround them. Meanwhile, Louise West, who isn't even certain that her husband is still alive, makes part of the cavalry charge that helps to rescue him and finish the attack to the settler population established around and inside the fort (this episode nd some others help to make out of Louise, who by the way now looks brunette in the drawings despite being described as blonde by the text, more than a mere migrant household fairy).
The narration evolves afterwards, always in the third person through an all-knowing narrator, taling on the fort's reconstruction and the creation of the first settlements surrounding it, according to how the area pacified itself for the euro-american settlers. Afterwards, Jim and Nath, going back to talk with Nath's prospector friend, Doods, get to know that he had gotten to know, from another prospectivor, of an enormous quantity of gold in nearby Pawnee land, and so the three leave following the indications of the deceased prospector that never got to fulfil the project of following the track of the informations he gathered, guided by the dream of Jim and Nath of getting the gold to give a condign life to Jim's newly-born son, baptised Fred, and (on insistence of Nath himself, as man less educated but with respect for higher education) put him to study for "being someone", on the long run. During the way, Jim kills a bear that comes-up all the sudden, and is ready to attack him, and while he still catches his breath and Nath comments the situation with his usual old-timey-ness from the West, a tornado rises itself and the 3 escape with their lives barely, and despite the tornado scrambling the signs of nature a little, and a brief attack of Pawnees, the 3 explorers discover the locale where it s kept said gold and come back, we suppose that so to fulfil the dreams by them dream.
This half of Correia's novela is organised like the previous one, and according to a structure of two repetitions of the escape-capture-rescue structure o' The Last of the Mohicans, with again the characters losing themselves, after some early mishaps going back to safety, and finally frustrating to all the dangers and staying in safety. The characters stay "just like themselves" (as is usual to be said in Portugal about International Association Football players), but some gain more weight in the 2nd half of the novella here, others replacing others in the same role, but the same places of antagonists or adjuncts staying clear. The main difference is how in the 2nd half of the novella The Adventures ofJim West, the Indian antagonists pass from an opposition both collective and individual (with some chiefs and healers individualised and well delineated opponents, others strong and ferocious, others opportunists with the same strength, others believers in a traditional belief system), to a merely collective danger, with the collective band of the Sioux from the attack or the Pawnees from the search to the gold taking the place of the secular or spiritual chief individualised enemies from the novella's beginning. But also related with the portrait of the Indians in this part of Raul Correia's work, is how the portrayal gains some complexity despite this "colectivism" of the portrayal: after the first Pawnee attack, Jim decides that they should let them live and not attack them, because they shouldn't be going back to attack, and all in all they were all human beings that only wanted their life (a curious comment, from the beginning of the humanisation of the "savage" in fiction in fiction in the mid 20th century that seems to contradict the simpler portrait of the Indians from the book's first half).
This section of The Adventures of Jim West continues to have the grandiose lines, grand acts and loves, loyalties and preachings, worthy of their genre. For example this one of Louise West towards the wife of Fort Laramie's French commander: «– Não, M.me de Bresse! Por Deus, não! Jim foi para o norte houve três dias... e os Sioux estão em guerra! Se ele foi capaz de chegar a nossa casa, se ele viu que o fogo a devorava, ele deve ir como louco procurando-me! Por Deus, M.me de Bresse! Ele por certo foi à aldeia dos Sioux! Faça com que me deem uma escolta de soldados! É preciso que encontre Jim, antes que seja tarde mais!...» («– No, M.me de Bresse! By God, no! Jim went to the north there have gone by three days.. and theSioux are at war! If he was capable of getting to our home, if he saw that the fire devoured it, he must be going like madman looking for me! By God, M.me de Bresse! He for certain went to the village of he Sioux! Make it so that they give me a escour of soldiers! It is needed that I find Jim, before it is too late!...») Thing with force tha reinforces the plot itself and match with it in dramatism, and that gives to the bond between Louise West and her husband the force and greatness above normal that would be to exect out of an adventure book of this kind and the phase of the 20th century it was written on.
It is fascinating to read all this text (including the greater openness to the Indians and "we are all humans" comments) in light of the parallel of the Portuguese experience of colonisation in the World War II period (and the one that would come in the post-war), when Portugal started to increase the actual populational colonisation and started to face the beginning of a cultural nationalism and was in a long "countdown" to the wars between settlers and indigenous that followed to the end of the Portuguese Empire, and also from a latin point of view (with the majority of the leads having according to the descriptions and the E. T. Coelho illustrations more "ethnic" features than the common for leads of north american westerns, what we could attribute to the authorship by latin european author and artist duo) to north american history and genre.So here we see statements of nationalism on the capacity of building of the life of someone who risked a new life made from scratch in a faraway land, and an escapist character out of literature that would be to expect from a similar book written in the USA, but thatby the authorship of a most Portuguese Correia and having the former almost subtext of ltinityand of Portuguese parallel is something much less usual and much more intersting. Something that can be read in many works that we have seen in this blog till the moment. Again I recall that this work by Raul Correia never was published on book, so only old copies of the O Mosquito magazine from 1943 or seeing online some pages hat come-up in th blog dedicated specifically to the magazine of premiere of this novella, O voo d'o Mosquito ("The flight of the Mosquito") (again I remind, with the images of the text pages out of order, although read them one can order them in somewhat intuitive way their chronological order in the plot, although even so it be obvious that some chapters are missing, although since the last post, some pages more be visible).

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